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Quinta-feira, 07 de Maio de 2026

Golpes com apps e sites falsos da Receita crescem no IR; como se proteger

Golpistas usam apps falsos e mensagens sobre “CPF irregular” para roubar dados durante a declaração do IR 2026; especialistas orientam baixar programas apenas de lojas oficiais e desconfiar de links enviados por SMS, email ou WhatsApp.

Especialistas em cibersegurança alertam para o aumento de golpes digitais relacionados ao período da declaração do Imposto de Renda 2026. Criminosos usam o tema para tentar obter dados pessoais e induzir o contribuinte a fazer pagamentos indevidos.

A Redbelt Security, empresa de segurança da informação, identificou um aplicativo falso que simulava o app da Receita Federal. O aplicativo registrou mais de 16 mil downloads antes de ser retirado de uma loja não oficial e pode ter feito milhares de vítimas.

O prazo para declarar o Imposto de Renda vai até 29 de maio. Quem é obrigado a prestar contas e atrasa o envio paga multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido no ano. Há ainda outras consequências, como ficar com o CPF pendente caso não entregue a declaração.

Eduardo Lopes, CEO da Redbelt, explica que aplicativos desenvolvidos por cibercriminosos recriam o app da Receita, com falsos serviços como preenchimento da declaração, consulta de débitos e acesso a recibos. Segundo ele, o usuário acredita estar em um ambiente legítimo e acaba fornecendo seus dados do Portal Gov.br sem perceber a fraude.

Com isso, os golpistas roubam informações sensíveis do contribuinte. Além do CPF, são coletadas senhas salvas no celular ou tablet, cookies de sessão bancária, credenciais corporativas e documentos armazenados.

"No caso de RATs, vírus de acesso remoto, o criminoso passa a ter o controle do aparelho, conseguindo acessar arquivos, registrar o que é digitado e visualizar a tela em tempo real", afirma o especialista.

Durante o monitoramento, a empresa identificou cerca de dez aplicativos maliciosos ligados ao IR 2026. As amostras analisadas usam nomes de órgãos oficiais, linguagem técnica e canais de suporte para aumentar a credibilidade. Os aplicativos circularam em lojas não oficiais, fora do Google Play Store e da App Store, que adotam processos de verificação mais rigorosos.

Pesquisadores da Eset Brasil identificaram outro tipo de fraude semelhante. O golpe começa com o envio de links por email, SMS ou WhatsApp, com alertas falsos de "CPF irregular" ou "pendências com a Receita".

Ao acessar o site, a vítima informa o CPF em uma suposta consulta gratuita. Em seguida, a página exibe um aviso de alto risco fiscal e estabelece um prazo curto para regularização da falsa pendência. Os golpistas exibem dados reais do usuário e apresentam um relatório falso com valores, juros e multas, simulando uma dívida ativa.

Thales Santos, especialista em segurança da informação na Eset Brasil, afirma que o golpe combina engenharia social com uso de dados vazados. "Esse tipo de fraude digital é mais complexa porque os sites são criados e derrubados com frequência, o que dificulta o mapeamento dos golpistas", diz.

"A infraestrutura usada é desconhecida, mas é possível que os dados das vítimas tenham sido vazados anteriormente em alguma brecha de segurança, como o que ocorreu em 2020", afirma.

O especialista alerta que o senso de urgência reduz a verificação das informações. Os golpistas aproveitam o momento de pressão para acelerar decisões e oferecem descontos que reduzem a suposta dívida. Diante da possível penalidade, muitos usuários priorizam agir rápido em vez de checar a origem da mensagem.

O contribuinte que vai declarar o Imposto de Renda pelo aplicativo da Receita deve ficar atento e baixar o app apenas nas lojas oficiais. Também é possível enviar a declaração utilizando o PGD, Programa Gerador da Declaração, disponível no site da Receita.

Outra opção é declarar online pelo portal e-CAC, em "Meu Imposto de Renda".

SAIBA COMO SE PROTEGER DE GOLPES
Para evitar prejuízos financeiros e proteger dados pessoais, a Receita Federal reforça que não envia links para regularização de pendências e orienta:

  • Desconfie de mensagens com tom de urgência ou ameaça de bloqueio de serviços financeiros
  • Não clique em links recebidos por SMS ou aplicativos de mensagens de fontes desconhecidas
  • Acesse os serviços digitando o endereço oficial da Receita no navegador
  • Verifique sempre o endereço eletrônico antes de acessar páginas de serviços públicos
  • Não compartilhe seus dados pessoais
  • Nunca forneça informações bancárias, fiscais ou senhas em sites não verificados
  • Em caso de dúvida, busque atendimento nos canais oficiais da Receita Federal


Fonte: Notícias ao Minuto

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