Notícias da Região | Neuroblastoma
Sábado, 07 de Fevereiro de 2026
"Ela foi muito amada": velório de Yasmim reúne comoção e lembranças em Cascavel
Família se despede da menina de 12 anos, símbolo de força na luta contra o neuroblastoma
O velório da menina Yasmim Aparecida Campos de Amorim, de 12 anos, realizado neste sábado (7), em Cascavel, é marcado por silêncio, comoção e lembranças de uma luta que mobilizou a cidade e ganhou repercussão nacional. Familiares, amigos e pessoas que acompanharam a história da menina se reúnem na Capela A da Acesc para a despedida.
Yasmim morreu na sexta-feira (6), após enfrentar por sete anos um neuroblastoma, um tipo raro e agressivo de câncer. Desde o diagnóstico, ainda na infância, a rotina da família foi transformada por tratamentos intensos, internações e longos períodos em hospitais. Mesmo assim, a menina sempre demonstrou força e esperança, tornando-se símbolo de resistência.
Nos últimos meses, o quadro de saúde se agravou. A doença avançou para ossos e tecidos, provocando dores intensas e limitando os movimentos de Yasmim, que passou a receber cuidados paliativos. Ainda assim, a família manteve a fé até o último momento.
Durante o velório, a mãe, Daniele Aparecida Campos, falou sobre o sentimento de despedida. Segundo ela, a dor da perda se mistura a um sentimento de alívio por saber que a filha não sofre mais. "Ao mesmo tempo em que é um sentimento de alívio, pelo sofrimento dela ter acabado, fica um sentimento de revolta por tudo que aconteceu", desabafou.
A trajetória de Yasmim também foi marcada por um episódio que gerou indignação. Em 2024, recursos públicos destinados à compra do medicamento Danyelza, uma das imunoterapias mais caras do mundo, foram desviados por uma empresa importadora. O atraso na entrega do remédio comprometeu o tratamento e, quando o medicamento finalmente foi disponibilizado, o câncer já apresentava um avanço agressivo.
Sobre a condenação dos envolvidos, cujas penas somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão, Daniele afirma que a decisão não representa justiça suficiente diante do sofrimento vivido pela filha. "É injusto, pelo que eles cometeram. Acho que cinco anos é muito pouco. Daqui cinco anos eles vão sair e a minha filha? Daqui cinco anos eu vou visitá-la no cemitério", lamentou.
Mesmo em meio à dor, a mãe relembra a forma como Yasmim enfrentou a doença. Segundo ela, a menina manteve uma postura positiva até o fim e muitas vezes era quem fortalecia a família. "Ela era uma mini-adulta. Muitas vezes ela ensinava a gente. Ela era muito querida e muito doce", contou.
A história de Yasmim também foi construída a partir de uma grande rede de solidariedade. Mobilizações por doações de sangue, orações e apoio financeiro uniram milhares de pessoas em Cascavel e na região, que acompanharam cada etapa da luta da menina.
O sepultamento está marcado para as 16h deste sábado (7), no Cemitério Cristo Redentor.
Igor Vieira sob supervisão de Alexandra Oliveira | Catve.com

















